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As rotas das armas que estão em poder de criminosos outubro 14, 2010

Posted by lsarzi in Reportagem Especial.
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Por Lucio Woytovicz Junior e Lucas Sarzi

 Há um ano uma chacina deixou oito mortos no bairro Uberaba. O fato ocorreu no limite entre as vilas Icaraí e União. O crime chocou não só curitibanos como o Brasil inteiro. A polícia prendeu os bandidos na divisa de Pinhais e apreendeu as armas usadas.

 Um dos revolveres era uma Jericó, pistola israelense de nove milímetros. A arma é uma espécie de troféu para os bandidos, segundo policiais.

 Mas aonde foi que os bandidos conseguiram esta pistola? De onde vêm as armas que não são vendidas e nem são usadas por policias? Esta matéria vai fechar o cerco dos caminhos por onde a arma chega na mão dos criminosos.

 

Fronteiras: Importação ilegal engana fiscalização

 O Paraná é um Estado que, além de fazer fronteira com dois países (Argentina e Paraguai), tem um porto muito importante. E é nesses lugares que mora o perigo. A importação ilícita é feita aos montes principalmente vindos de países como Colômbia, Paraguai e Bolívia.

 Cada vez mais os bandidos utilizam armas trazidas do exterior. O número de policiais encarregados de cuidar da malha rodoviária caiu 32%, segundo a Folha de São Paulo. Com menos policiais nas estradas, torna-se mais fácil o contrabando. O tráfico que vem pela própria rodovia sempre está escondido em lugares de difícil acesso, como conta o policial Juruá De Melo (PM-PR). “Estão de baixo de caminhões, caixas fortes, fundos falsos de carros, sempre em um lugar bem escondido para que a polícia não ache”, afirma o policial.

Mas não é apenas por terra que chegam cargas de armas. Mello ainda explica que existem outros caminhos pelos quais o contrabando entra no Paraná. “O que vem de fora pode vir através do aeroporto, algumas cargas vêm de lá, e de navios através do porto de Paranaguá”.

 Dos carregamentos que chegam pelo chão, muitos podem vir por estradas secundárias. Um ex-policial civil, que escolheu por não se identificar, afirma que muitas vezes em que uma carga é parada, é feita vista grossa pelos policiais. “Um grande carregamento só é apreendido quando não há um acerto com a polícia”, explica ele.

 Corrupção de autoridades é outro problema que influencia negativamente na batalha contra o tráfico.

            Corrupção policial, o perigo onde deveríamos confiar

            O número de policiais corruptos que ajudam os bandidos cresce a cada dia. Apreensões são feitas a todo o momento, mas nem sempre o destino das armas apreendidas é a destruição.

            A explicação, para os possíveis desvios de conduta dos policiais, está na falta de estrutura das polícias civil e militar, com remunerações muito baixas e uma preparação acompanhada por profissionais ruins.

            Quando armas são apreendidas, há evidências de que policiais corruptos aproveitam disso. “As armas chegam aos bandidos muitas vezes por policias que fazem apreensão de arma e vendem”, comenta. O ex-policial civil disse também que, enquanto trabalhava, fez muitas apreensões de armas e que viu tudo acontecer corretamente, mas sabe das divergências que ocorrem dentro da polícia. “Não vi colegas de profissão negociando armamento ou fazendo vista grossa, mas conheço colegas de corporação que são bandidos com a insígnia”, completa o ex-policial civil.

             Policiais corruptos acabam por contribuir para a disseminação das armas na criminalidade. Eles também acabam ajudando, de forma negativa, sem intenção, quando sofrem assaltos que visam roubar a pistola do policial. A população que consome as armas, também acaba sofrendo deste problema.

Da população, para os bandidos.

Há quem diga que comprar um revólver significa estar protegido. Ledo engano. A arma registrada pode ser uma isca para assaltos e até assassinatos. O cidadão de bem que se sente seguro com uma arma em casa, talvez esteja correndo risco e não saiba.

Os assaltos que visam roubar armas estão cada vez mais corriqueiros entre os criminosos. Até policiais ou ex-policiais acabam sofrendo destes crimes em casa com suas famílias.

Em julho, um policial foi morto em sua casa com seu próprio revolver por um assaltante em Curitiba, segundo a imprensa. Outro caso aconteceu em São José dos Pinhais, em abril deste ano. Uma policial militar teve sua casa invadida por bandidos em busca de sua arma. Como não acharam, fugiram sem agredir ninguém, para sorte da policial.

Segundo o policial Mello, o porte de arma é uma “faca de dois gumes”. “Pra você ter uma arma precisa ter o registro e o porte, e se alguém roubar esta arma, você vai se complicar”, comenta.

As armas apreendidas que estiverem com a numeração raspada, são, com certeza, provindas da população ou de assaltos a policiais. Segundo o Supremo Tribunal Federal, portar arma com o número de série raspado é crime e pode levar de dois a quatro anos de prisão.

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