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Necrochorume causa polêmica nos cemitérios de Curitiba junho 24, 2009

Posted by wanderloyola in Pinhais, Política, Saúde, Tarumã.
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O projeto de lei do vereador Paulo Frote, já aprovado pela Câmara Municipal de Curitiba no dia 12 de maio e sancionado pelo prefeito Beto Richa, determina a obrigatoriedade de caixões impermeabilizantes nos funerais ocorridos na capital. Segundo o vereador, o líquido decorrente da decomposição dos corpos contamina o sólo e lencóis freáticos, e isso teria sido constatado no cemitério Santa Cândida. O necrochorume pode ser um dos responsáveis pela proliferação de doenças como poliomielite e hepatite, por conter substâncias tóxicas em sua composição. A regulamentação divide opiniões entre ambientalistas, donos de cemitérios e, principalmente, prevê obrigações  nada muito diferentes das já fixadas na Resolução Conama. O principal dispositivo do projeto, que estabelece o material impermeável como obrigatório, contradiz um dos parágrafos da resolução.

A questão trás ainda a polêmica dos custos e o destino do material recolhido após a exumação.Quem arcaria com a despesa do novo produto? E os indigentes? Quem daria o destino certo para o líquido e como isso seria feito?

Resolução Conama

Desde abril de 2003 a Resolução 335 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), dispõe de diretrizes relativas  aos processos de licenciamento dos cemitérios. São normas que estabelecem a relação do local de implantação dos terrenos com o  meio ambiente. A cláusula 01 da resolução no plano de implantação e operação do empreendimento, determina a proibição dos terrenos em área de manancial para abastecimento humano, e logo após, no artigo 03, pede-se que  tenha um estudo de nível máximo dos lencóis freáticos.

O primeiro dos incisos do Parágrafo único da Resolução proíbe o emprego de material impermeável, exceto em casos específicos.O vereador diz que isso talvez se aplique aos cemitérios certificados pela ISO, e complementa, “eu desconhecia esse dispositivo do Conama que proíbe a impermeabilização das urnas mortuárias”.

O custo aproximado do material impermeável deve ficar entre R$ 40 a 60 e será repassado à  família do falecido. No caso dos carentes e indigentes, Frote afirma que existe um convênio das funerárias com a prefeitura no qual “elas doam as urnas e a prefeitura faz o transporte e fornece o terreno”.

Cemitérios verticais

A discussão gira em torno dos cemitérios convencionais, mas no caso dos verticais deverá existir, segundo o criador do projeto, uma regulamentação via decreto que deverá ser validado por técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente, para que haja adequação dos jazigos destes lugares de acordo com o que propõe o projeto.O sócio diretor do cemitério Vertical do Tarumã, Carlos Alberto Camargo, 38, diz ser plausível a preocupação do poder público com o meio ambiente mas alerta para um estudo detalhado. “Houve outros projetos como o de caixões ecológicos que não deram certo”.

No cemitério vertical,o defunto não tem contato com o solo e neste caso o processo de sepultamento é diferente dos convencionais.O caixão é deposto sob uma espécie de bandeja impermeabilizante  e o líquido é retido ali até que se evapore por completo. Segundo Camargo, os gases resultantes do processo de evaporação passam por um filtro com moléculas de carvão que age por adissorção (quando uma molécula gruda em outra, anulando o efeito que teria na atmosfera).

Do total da decomposicão do corpo humano, 70% é líquido e o produto resultante do processo de coaliquação desse líquido se transforma em chorume que pode ou não ser contaminante. No caso do solo o líquido percorre com o risco de atingir os lençóis freáticos. “O chorume não percola (fica nos ossos)”, atesta Camargo, isso impediria a contaminação. “Nunca foi provado que o cemitério contamina”, metais como  “o ferro,cobre e zinco encontrado nas urnas podem contaminar a terra e a água”, conclui. 

Perigo real

De acordo com Patrícia Bilotta, professora de Engenharia Ambiental da PUC e Doutora em Hidráulico e Saneamento, “o perigo real da contaminação está nos orgânicos patogênicos encontrados no chorume” – segundo ela, um dos principais componentes para a poluição e uma possível proliferação de doenças. O desgaste de materiais como objetos de roupas ou metais pesados em contato com o chorume teriam uma responsabilidade insignificante. 

A professora explica que dependendo das condições do solo e da água em certas situações “esse material pode se acumular e causar um efeito potencializado”. Com a aprovação da lei e a impermeabilização das urnas, o solo e a água seriam poupados, mas isso daria margem a uma outra preocupação: qual seria o destino desse material impermeável e quem se responsabilizaria por isso?

Uma possível explicação é que o cemitério teria que arcar com um sistema de drenagem, captação e tratamento desse material, mas para isso teria que estudar caso a caso e identificar através desse estudo, a quantidade de chorume produzido no cemitério para avaliar a significância e a viabilização da implantação desse sistema. Segundo Patrícia, depois de tratado o líquido não vira adubo, mas “pode até ser lançado no solo que o próprio ambiente absorve e o devolve ao ciclo natural para a matéria prima do carbono”.

Wanderli Loyola

Comentários»

1. maria teresa feitosa - julho 24, 2009

gostaria de saber da dra Patricia Bilotta quando um corpo recebe tanatopraxia se existe alguma alteração durante o periodo de putrefação comparando com um corpo que não recebeu tanato.Outra coisa o principio ativo da tanato(formaldeido 2%)durante a putrefação atinge o solo?por favor me responda.Aguardo contato.maria teresa-fort/CE.

2. celia wada - fevereiro 1, 2010

Gostaria de saber o que a professora Patrícia Bilotta, professora de Engenharia Ambiental da PUC e Doutora em Hidráulico e Saneamento, quer dizer com”o perigo real da contaminação está nos orgânicos patogênicos encontrados no chorume” – ??????
O que são orgânicos patogêncos e, por que ela acha que contamina?
O que contamina mais as Salmonelas ou as Shigelas?
Sabema diferença???
Pois então………..
Sabe o que é carga viral?????????
“Achar”…………..esse é o problema da HUMANIDADE……….

Gian Cavallieri - junho 7, 2010

Gostaria de saber quanto a Sr.a Celia, que se diz professora ganha da associação de cemitérios para falar suas bobagens. Ela seria capaz de beber a agua da nascente que existe no cemitério de V Nova Cahoeirinha em SP, já que ela diz que não está contaminada?

3. Alexandre - agosto 4, 2010

Nao ha nenhum estodo pautado em resultados significantes ou consideraveis no minimo que comprove uma real contaminacao de aquiferos e solos.
Desta forma tudo disposto acima se torna edificado sobre areia e fragil, existem cemiterios centenarios que demandam de controle ambiental e nem nestes foram localizados tal contaminacao.
O que realmente deve ser analisado e toda materia final que disposta ao tempo apos exumacao percorre com ajuda do vento e pode ser depositada sobre alimentos, roupas…
At.
Alexandre

4. Valdir Ferrão - março 12, 2012

O único cemitério verdadeiramente ecologico é aquele por decomposição aerobica.
A decomposição se dá em um ambiente aerado e de baixa pressão, provocando a vaporização do necro-chorume, que deixa de existir.
Mais informações no site http://www.cemiteriovertical.com

Valdir Ferrão

5. Marcia - setembro 17, 2013

Os cemitérios verticais são muito anti-higiênicos. Em Curitiba há um cemitério vertical bastante mal-cheiroso, cheio de mosquitos e em alguns casos é possível observar um líquido amarelo-avermelhado saindo em pequena quantidade dos lóculos. O problema é que as empresas sempre mostram apenas o lado positivo das coisas. O lado negativo só é observado quando se tem um contato mais próximo com o lugar. Eu já tive um plano no Cemitério Vertical de Curitiba e passado alguns meses, cancelei e fiz em um cemitério de jardim que, além de serem mais bonitos, são bem melhores. Esse papo de cemitério vertical ser ecológico é puro mito e propaganda enganosa dessas empresas, pois apesar de não contaminarem o lençol freático, contaminam o ar, porque os filtros são ineficientes e principalmente porque muito dos gases que os corpos liberam são eliminados pelos lóculos, poluindo e causando intenso mal-cheiro que, em geral, é disfarçado por “Bom Ar”. Além disso, pelo fato de serem comportados dentro de um prédio fechado, como é o caso do cemitério vertical de Curitiba, aparecem e convivem com pessoas inúmeras pragas como baratas, mosquitos e até ratos. A diferença em relação ao cemitério ao ar livre é que aí os bichos se dispersam e não ficam convivendo com os visitantes. Abraço

wanderloyola - setembro 18, 2013

Muito bem observado Mrcia e obrigado pelo comentrio. Este mais um dos inmeros problemas que enfrentamos e que as autoridades fazem vistas grossas, apesar de o zelo ser daresponsabilidade de todos, pois o maior fiscalizador o cidado. Ab!

________________________________

Dirani Silveira - janeiro 16, 2015

Prezada Marcia
Sou de Mato Grosso do Sul e fiz uma pesquisa na faculdade sobre a contaminação do solo pelo necrochorume, em Direito Ambiental. Com isso pude conhecer o que existe de menos poluente ao ambiente, os prós e os contras. Quanto ao Cemitério Vertical de Curitiba, tenho parente sepultado lá, fiz questão de conhecer esse complexo maravilhoso, que mais se parece com um hotel 5 estrelas. Estive lá na semana passada e em nenhum momento percebi liquido amarelo-avermelhado saindo dos lóculos, mosquitos ou ratos. Concordo com você quanto as baratas, vimos 2 enquanto visitávamos o local, já fica a indicação aos proprietários para uma boa dedetização.
Tudo muito limpo, mesmo em ampliação, o chão, as estruturas de vidro, a capela, as alas, muito bem higienizados.
Ainda não tenho um plano nesse cemitério e não estou ganhando nada em divulgar o que conheci in loco.
Um abraço
Dirani Silveira

6. Claudia - janeiro 14, 2014

Prezada Márcia,
Eu não sei onde você viu este cemitério vertical em Curitiba, mas eu moro a menos de 1 km do cemitério vertical localizado no bairro tarumã e não tem mal cheiro, não é cheio de bichos e insetos e também nunca vi nenhum líquido amarelo-avermelhado saindo de lugar nenhum. E olha que sou bastante observadora e enjoada para estas coisas.
Nunca tive problemas respiratórios pelo fato de morar perto desse cemitério.
Ainda estive no cemitério para fazer um plano e um dos comentários que fiz com minha irmã foi sobre a limpeza do local, a higiene e sobre o fato de não ter nenhum cheiro diferente.
Você não sabe o que fala, querida Márcia.

Valdir Ferrão - julho 11, 2014

Para saber sobre decomposição de corpos, contaminação e ecologia tem que visitar http://www.cemitérioecologico.com.br.
Valdir Ferrão


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